sábado, 2 de agosto de 2008

Exposição Star Wars (Brasil)

Exposição Oficial SW

Levei uma hora e meia de busão Sarja-Sampa, mais 10 minutos de metrô - uma paradinha para o almoço - e outros tantos segundos infindáveis de táxi. Até chegar (finalmente) ao “evento”. Na porta dele, um vigilante Stormtrooper apontava seu blaster contra os visitantes, "armados" de celulares e máquinas fotográficas - a multidão assistia a (insólita) cena com absoluta curiosidade, também pudera, não é sempre que vemos um “soldado de elite” do "Império" na entrada do Ibirapuera. Essa calorosa recepção apenas se fazia como (ligeira) solenidade - a aventura em si começava da porta pra dentro, liberando o pobre “soldado” para ir ao banheiro (sério!). Mesmo fervendo num sábado gostoso e propício para passeios, a fila do ingresso andava fácil-fácil, encurtando a expectativa dos redundantes amantes de Star Wars, ávidos em desfrutar da "Exposição Oficial Brasil", uma mostra muito esperada, com a promessa de centenas de itens originais, e outras tantas curiosidades que fizeram (uma parte) da importante história deste grande-apaixonante "clássico" da Sétima Arte^^


30 pilas na bilheteria parecia salgado. Até porque, de cara uma lojinha de bugigangas já fazia o bolso de qualquer fã coçar de curiosidade consumista. Passei batido para não ter que perder os rendimentos de dois anos e meio, melhor nem entrar num lugar desses, concluí (muito) precavido. Ao lado, um telão apresentava a presente empreitada pros brasileiros, com música tema de John Willians e caracteres estilo abertura de Guerra nas Estrelas - tudo para entrarmos no clima. Caso a taquicardia permanecesse baixa, uma surpresa elevava os batimentos cardíacos dos transeuntes de segundo nível, R2-D2 postava-se a frente, na cabeceira da Jedi Starfighter utilizada por Anakin Skywalker no “Episódio III”. O símbolo de uma geração de Jedimaníacos fazia as honras da casa, apropriadamente, afinal de contas, quem não adora o simpático R2, ein? Partindo dele, prosseguia um corredor recheado de ilustrações e informativos sobre o universo criado por George Lucas em 1977. Imediatamente, era possível notar os traços característicos de Ralph McQuarrie, o principal ilustrador da antiga trilogia (e de Doug Chiang, assumindo posteriormente o cargo nas respectivas películas contemporâneas). Haja coração!



Bifurcados nesta muvuca, grupos de admiradores - devidamente fantasiados - cruzavam os salões, espaçosos e comportando (bem) a quantidade imensa - só que controlada - de pedestres. Caminhando alguns metros, o primeiro salão (de muitos) se abria para mostrar o grosso das peças trazidas pela Lucasfilm. Antes de notarmos (emocionados) qualquer uma delas, uma pequena frustração se evidenciava (como alertado pelos que fizeram este - mesmíssimo - percurso anteriormente), a baixa iluminação do local - e os vidros protetores reflexivos - quase impossibilitava tirar fotos descentes e nítidas de tudo. Um pecado. Isso sem contar a falta de pilhas novas na "máquina digital" emprestada, uma desgraça corrigida pela venda das mesmas na lojinha mais próxima - já citada acima (algo me diz que os organizadores faturaram muito com esta “sacada”, duvido ter sido o único a ter tido esse tipo de problema emergencial). Se conseguir uma foto que mostrasse as figuras (em meio ao breu) sem estragar a imagem (borrada pelas fortes luzes de neon) constituía-se em um desafio somente sanado pelos dotados da Força, as andanças entre os pedestais brindados compensavam tamanho infortúnio. Rapidamente, eu acrescentaria. A questão - portanto - era aproveitar e (tentar) não perder nenhum destes inúmeros mimos. Imperdíveis, sobretudo, para aqueles que já gostam do assunto.



O público parecia enfeitiçado, perdido alegremente no meio de tantos bonecos, vídeos e desenhos estampados. Tudo parecia pedir nossa atenção, limitada e incapaz de dar atenção a tudo, simultaneamente, como gostaríamos. Dava (até) para se perder indo depressa demais. Cuidadosamente, correndo cada milímetro de chão, fui sendo arrastado para os bastidores da comentada Space opera, vendo maquetes, naves, alienígenas e figuras super conhecidas. Chewbacca estava lá, ao lado de Han. Inseparáveis, de fato. Pequeninos Droids da Federação eram rodeados por crianças de idades variadas. Um Clone Trooper era admirado por uma inocente menininha: “Que robozinho bunitinho” ela dizia, para gargalhada dos pais - e ouvintes atentos. Em tamanho natural, alguns veículos se espalhavam pelos becos, implorando para invadirmos o - lacrado - recinto (desativarmos o sistema de segurança) e sentarmos nestes cockpits tentadores e proibidos. Outros motivos para pequenos delitos eram as inúmeras TIE Fighters e X-Wings (na verdade em seus modelos diferentes, como a TIE Bomber), lindas de morrer e infinitamente melhores do que as cópias de brinquedo que meus amigos de infância guardavam a sete chaves - sem me deixar tocá-los, apenas admirá-los de longe. Imaginem então, o desespero que era ver a Millenium Falcon, lá paradinha, a poucos centímetros de nerds pasmados com a complexidade de suas linhas/detalhes. Alguns deles ofereceriam órgãos vitais em troca dela, pra babarem novamente no conforto de casa, eternamente. Ou (no mínimo) trocariam braços e pernas pelo conjunto AT-AT + Star Destroyer, carregando - sozinhos - uma carga imensa de saudosismo em seus estandes particulares.




Nos manequins, notadamente, dezenas de (belíssimas) roupas da rainha/senadora Amídala espalhavam-se pelos lados opostos de uma longa parede, antes disso, um singelo figurino da Princesa Léia contrastava com a fartura (absurda) de vestimentas criadas para sua “mãe” nos filmes recentes da saga. Nesse âmbito, a cada quadro, monitores mostravam seqüências referenciais e painéis ilustrativos - despejando incontáveis “desenhos conceituais”, para delírio dos fanáticos por livros estilo “Art of Episode I”. Juntavam-se aos uniformes principais, outros tantos secundários, como o famoso “piloto rebelde” e ademais tipos de Troopers. Contudo, dentre eles, indubitavelmente, destacava-se bastante a - fenomenal - armadura Mandaloriana de Boba Fett - imponente em sua posição de Bounty Hunter - extremamente cool. Perdendo apenas para o brilho emanado por C3-P0, tão querido quanto sua pequena “contraparte” astromecânica. Colocado despojadamente ao lado do parceiro - e quase soltando falas como “Oh my...”, Threepio era extremamente assediado - com justiça - pelos marmanjos (aka babões), além de fazer a alegria da criançada...




Indo para a saída, uma fila enorme se formava para as aulas Jedi, exclusivas para jovens/guris Padawans (druga...), conduzindo os frustrados aspirantes do Templo para a masmorra secreta e detentora de Darth Vader - requisitadíssimo pelos fotógrafos e seguidores do Lado Negro. Engraçado que, cruzando o salão, na outra ponta, um Yoda holográfico parecia contrapor o maligno Lord. Aparecendo para nosotros com a fantasmagórica forma espírita vista no final de “Retorno de Jedi”. Entre eles, no meio do galpão, um arsenal de armas (e sabres!) parecia pedir por uns tiroteios temáticos de Paint Ball, com as bases marcadas pelos representantes do Bem X Mal. Antes de deixar o prédio, óbvio, era obrigatório (re)repassar e olhar - novamente - cada elemento deixado pra trás, quem sabe para sempre. Ok. Faltaram algumas coisas (cadê a Estrela da Morte???), todavia, a experiência fora única, acredito, para cada um dos agraciados fãs que estiveram andando pela - inusitada - Bienal. Ver de perto estes caríssimos utensílios, conhecidos das grandes telas e importantíssimos na consolidação de Star Wars no seio da cultura mundial, valeu tanto quanto uma sessão única destes longas, os mesmos, absolvendo cinéfilos para dentro da tal “galáxia muito, muito distante” - que (momentaneamente) ficou pertinho (realmente pertinho) dos gratos participantes deste fascinante "museu" cinematográfico.

Que a Força esteja com vocês, caríssimos leitos... Hoje e sempre!!!

domingo, 27 de julho de 2008

Domo arigatou, Matsu!

Particularmente, nunca fui do tipo "tiete". Tenho inúmeros ídolos, evidentemente, mas nunca agi como "fanático xiita", nem sei explicar direito a falta pessoal deste tipo de profuso sentimento. Normalmente (eu acho) sempre temos uma figura que admiramos rasgadamente - daquelas que os fãs de carteirinha colocam até posters - dependurados - em cada canto do quarto. Contudo, afortunadamente ou não, nunca tive este tipo de fascínio pelas pessoas que admiro. Honestamente. Talvez seja por ter sangue de jornalista, pois sempre me mantive passivo, com indubitável distanciamento emocional, acompanhando (friamente) quase que profissionalmente - sem qualquer apego profundo ou paixonite aguda. Engraçado que as coisas já eram assim na minha infância!


E evidentemente seria difícil mudar tal característica - agora - na vida adulta. Entretanto, descobri - anos atrás - que tenho (sim) uma pequena propensão por determinada persona pública. Digo, razoavelmente. Dentro de um patamar controlado. Mesmo me diferenciando dos mais aficionados, aprendi a apreciar/gostar sinceramente de uma cantora japonesa, em particular, chamada Aya Matssura^^. Antes de prosseguir, devo fazer um adendo - para explicar as raízes do - feliz/antigo - encontro com a música nipônica. Como tantos outros, acabei tendo minhas primeiras experiências na milenar tradição oriental através de Animês e jogos de videogame. Não raro, estas obras eram acompanhadas por típicas canções-tema originais, das quais, sempre me interessei bastante - pasmo com a capacidade deles cantarem numa língua tão complicada... Partindo destas trilhas sonoras populares, me joguei curioso no bojo central da discografia japonesa, encontrando talentos inquestionáveis como Ayumi Hamasaki, Utada Hikaru, L'Arc en Ciel e/ou Moriyama Naotaro.

Nomes indispensáveis e alicerces do enorme fascínio provocado pelo J-Pop universalmente. Nesse sentido, atrelado aos desenhos animados - tão importantes na propagação da cultural do Sol Nascente - me encantei por uma peça musical extraída de “Meu Vizinho Totoro”, um dos trabalhos - magnânimos - do cultuado animador/cineasta Hayao Miyazaki. Na época, só reconhecendo o refrão “To-toro-Totoro”, tentei descobri quem era a garotinha vocalista dos acordes citados acima, chegando ao nome que posteriormente seria tema desse - humildessissinho - post/blog.


Sampo - Tonari no Totoro

Com uma perspectiva precoce, Ayaya (como é carinhosamente apelidada) debutou aos 13 anos no “Hello! Project”, um "selo musical" (mal resumindo) importantíssimo (em toda Ásia), despontando imediatamente para o sucesso - que continuou firme no lançar dos discos. Entretanto, ainda desconhecedor de seus principais singles, e da distância de idade que os separavam, pulei (sem querer) de “Tonari no Totoro” (da fase pré-adolescente) para “Thanks!” (do grupo GAM), com ela já adulta e numa linha, digamos, inacreditavelmente "sexy symbol" (em parceria com Miki Fujimoto, sua - melhor - amiga, saída do Morning Musume, o conjunto mais apreciado por 12 entre 10 garotas de olhos puxados). Fiquei chocado. Sério. “Como assim?” Indaguei... “Essa é a mesma menininha que cantava ‘To-toro-Totoro’?”, perguntava descrente. Cheguei a pensar que se tratava de uma artista homônima. Parecida. Errei feio... Pessoal, fala sério, o que o tal hormônio do crescimento não é naturalmente capaz de fazer, ein?


Gam - Thanks!

Todavia, para entender este lapso, precisaria recuar novamente (no tempo) para acompanhar Matssura-san em toda sua graciosa trajetória - até os dias atuais. Parando, seqüencialmente, em suas espetaculares apresentações ao-vivo, lapidares para notarmos seus fartos talentos vocais. Incontestáveis. (Quem sabe faz sem playback, viu Britney?) De shows a aparições televisivas, Aya-sama (vix...) demonstrava (reiteradamente) a cada momento, vários dos motivos que a tornaram tão celebrada. Não só cantava absurdamente bem - com uma voz afinadíssima e peculiar - como também logo se notabilizou como um exemplo positivo no meio artístico. Uma espécie de “queridinha” da nação. (Forçando uma comparação brazuka: tipo a Sandy, alguém competente e que tem fama - verídica, pelo que sei - de boa mocinha, nos dois casos...)


Happiness (Fall Concert Tour 2006)

Totalmente Kawaii (um dia conseguirei destrinchar melhor sobre a importância deste meigo termo nos adjetivos nipo-brasileiros) e boa gente, Matsu causou uma forte impressão na indústria - alçando o topo das paradas (em sua categoria). E arrebatando corações por toda parte. Chamando a atenção tanto das platéias masculinas (boquiabertas) quanto às femininas (inspiradas...), unindo graça e melodia nata. Seja no romance comum a carreira-solo ou nas energéticas sinfonias-dançantes das co-produções (uma característica muito interessante dentro do prolífero “Hello! Project”, ousadamente reunindo diversos "membros queridos da própria casa" em parcerias especiais, temporárias - mas originais).


Melodies (Winter ELDER CLUB 2007)

Confesso que neste ponto, depois de toda pesquisa googleniana, sequer a colocava na lista das “mais ouvidas”. Isso mudou quando descobri - empiricamente - alguns dos efeitos benéficos destas belíssimas apresentações. Na prática, acabei notando que suas marcantes-apaixonantes composições conseguiam modificar imediatamente meu astral - pra melhor. Pouco importando a fossa em que me encontrava, naquele instante. Bastavam alguns minutos diários de Aya Matsuura (já disse que ela é muito Kawaii???) - e pronto, já ficava bem novamente, vide num passe de mágica. Seja pelo carisma, pelo talento ou devido às energias transmitidas (para quem acredita nos poderes transcendentes do pensamento positivo, lógico...), tudo acabava resultando para que Aya-chan animasse os dias (cinzentos) deste que voz escreve.


Suna wo kamu you ni... Namida

Diversas vezes, preciso acrescentar. Feito inédito pelo qual serei eternamente grato, apesar de infelizmente não poder agradecê-la pessoalmente, como gostaria. (Quem sabe um dia?) E exatamente por isso, acabei imbuído dos atributos necessários para ser parte do quilométrico fã-clube mundial da lembrada interprete. Afinal de contas, uma autêntica idol serve - justamente - pra isso, modificar/melhorar a vida de seus fiéis escudeiros; mesmo que ela mesma sequer se dê conta de sua abissal importância para tantos “desconhecidos”. Afetando o cotidiano de multidões - que a idolatram em retribuição. Uma dívida (íntima) impagável e intransferível, praticamente. Só entendida (aka comungada) pelos consumidores - igualmente - devedores dessa grata idolatria (ovacionista). In terra brasilis ou do outro lado do planeta...


I Know (Studio 2006)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Experiência sensorial diferenciada

Como tantas outras pessoas, na infância despertei (de vez) para as coisas da vida. Experimentando e aprendendo com os primeiros passos do real crescimento social/biológico que construíram (ou ajudaram a construir) o ser humano que sou atualmente. Logo cedo, contudo, já havia percebido alguns caminhos diferentes transcritos bem na minha frente. Devido a uma natureza questionadora, nos primórdios comecei a perguntar sobre o futuro e as coisas que fazem valer nossa existência humana. No mais sagaz sentido existencialista - apesar da inocente tenra idade. Buscando sentido para o rompante de sentidos distintos e paradoxais atrelados as percepções próprias de cada ser vivente/consciente. Como indivíduos, prezamos bastante o individualismo e as formas distintas (que costumo apelidar empregando a alcunha usada no título deste post) de se comportarmos diante dos assuntos comuns (em nossa espécie).

Entretanto, o ambiente social nos força a seguir padrões, alguns deles necessários para o bom convívio em grupo. Composto obrigatoriamente por titulares organizados. Independente dos prejuízos desta difícil relação entre a “parte” e o “todo” - tanto para a “parte” quanto para o “todo”. Analisando as expectativas futuras partindo deste pressuposto, abdicamos (quase sempre) do “diferente” para sermos guiados pelo regimento das acepções e costumes tradicionais. Caindo numa vala comum onde crescemos, estudamos, namoramos, casamos, temos filhos, trabalhos, netos, etc. E assistimos o ciclo se repetir a cada geração, com pequenas modificações na ordem ou na realização das já esperadas “metas” humanas. Com pouquíssimas exceções.

Várias delas já esperadas, até para equilibrar uma balança de peças diferenciadas. Pouco sobra para os “desajustados” que tentam escapar destes estigmas fatalistas. Muitas vezes, excluídos de suas comunidades exatamente por não se encaixarem no modo operante da maioria. E aqui um surto de medo pairou cedo sobre mim, o medo do previsível - todos os meus passos estariam previamente marcados. Independente de minhas vontades.

Desesperei-me com o fato de estar predestinado (aparentemente) a crescer, estudar, namorar, casar, ter filho(s), trabalhos, neto(s) igual as demais pessoas. Isso antes mesmo de decidir se gostaria (ou não) de realizar qualquer uma destas coisas. “O que aconteceria se eu quisesse seguir por vias diferenciadas?” Pensei. Partindo logo para uma ação racionalmente mais prática, decidi imediatamente “não seguir a boiada”. Caminharia através de pensamentos próprios, optei na época. Obstinado em descobrir por conta sobre as ramificações que compõem a vida cotidiana.

Desta forma, aceitava/dispensava certas atribuições igualitárias num discurso legítimo e enraizado apenas nos desejos pessoais (hedonistas e espirituais). E nunca nas "laicas" suposições alheias. Apelando para a abstinência total quando não me sentia seguro ou convencido de que algo era mesmo o que queria/necessitava. Na sua essência. Aos poucos fui moldando uma personalidade muito forte, de comportamentos que fogem ou atendem ao instinto ordinário - simultaneamente. Tudo lapidado livre de influências externas, daí tamanho desprendimento frente às leituras normativas. Aceitas apenas quando elas atendem necessidades da convivência coletiva - ou são respostas óbvias para indagações internas. Sentidas na carne do Homo sapiens.

O preço, evidente, para tamanha ruptura foi dilacerante. Ser incompreendido fazia parte do pacote para entender a si mesmo. A cada (danoso) olhar estranho desferido por terceiros surgia internamente uma nova luz iluminando minhas entranhas. Na busca do alto-conhecimento, me distancie para me aproximar cada vez mais da alma humana. Entre sucessos e fracassos - ações errôneas ou acertadas - acabei trilhando uma dura passagem, feita na raça de cada novo passo dado rumo ao inexplorado. Ainda hoje, sigo tal filosofia. Só que mais talhado na relação entre nosotros e o mundo. Um bem inestimável para compreender o compreensível nas suas quase incompreensíveis (infinitas?) variantes. Das quais compartilho e diferencio. Em uníssono.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Nota

Um surto epidêmico de viroses atingiu São José dos Campos com força máxima nestes (frios) últimos 15 dias. Ainda estamos recolhendo os cacos doentes por aqui em terras Morumbienses - e milagrosamente me safei (até agora) das virulentas pragas de inverno, mas enquanto ajudo os acamados (e são vários) ficará difícil retornar às atividades virtuais corriqueiras. Afinal, até as analógicas já estão totalmente comprometidas... Quando as coisas normalizarem - se Deus quiser - volto a dar algum sinal (digital) de vida. Inté lá, muito conhaque com mel procêis!!! ^^

domingo, 9 de março de 2008

Excluído digital

Existem algumas lendas urbanas soltas por aí. Boatos espalhados como verdades absolutas. Algumas destas “inverdades” até me dizem respeito. Uma delas - olhem o absurdo - chega a apregoar (na boca pequena) que fui (e ainda sou considerado) um ótimo aluno! “...” (!?) Como assim??? Despropositado axioma pode ser facilmente refutado. Exemplos não faltariam para derrubar tamanho disparate. Nem vou citar minha estadia no ensino público, aka inerente falta de gosto ou incentivo ao estudo tão típico nas precárias escolas estaduais - das quais freqüentei só para degustar uma apetitosa merenda diária, sem demonstrar qualquer fome pelos risíveis aspectos educacionais envolvidos.

Um dia, eu ainda conto como chegávamos as 7 da matina religiosamente, íamos direto pra quadra, matávamos todas as aulas (por falta de professores e negligencia dos educadores mais desleixados - tipo a detestável-ridícula professora Meire) e depois aparecíamos - rapidamente - no pátio, só para rangarmos repetindo o prato. Assinando, num pulo rápido na sala sem-aula, a lista de presença para arrebentarmos nossas calças jeans até o final do expediente, sem culpa - afinal, a quadra era lotada de pedregulhos cortantes/raspantes em graus elevados. E nossas partidas eram disputadíssimas (Marquinho e sua perna quebrada em 2 lugares é uma prova cabal disso). Isto porque estou pulando os intervalos onde aproveitávamos as carteiras vazias pra jogar ping-pong (com o apagador funcionando uma beleza como raquete improvisada). Mas vou deixar estas partes. Indo direto para o ambiente universitário. Lugar sério-lapidar sobre meu real comportamento enquanto aluno “reconhecidamente exemplar”.

Lembro vividamente. No primeiro dia, Mário (Bros.) apareceu na classe, nos convidando para uma palestra de boas vindas. Ao ser perguntado sobre seu nome, o sabichão respondeu apelando para uma frase bíblica: “Eu sou o que sou” (!). No que rebati prontamente: “Então, ‘Sr. Sou’, posso te chamar pelo primeiro nome???" Malcriação que teria futuramente seu preço... Bem amargo. Quando as coisas entraram em seu prumo comum, nos dias seguintes, Mário retornou para ministrar sua primeira aula de informática. Perguntando (sarcasticamente) de prima sobre o conhecimento prévio de cada aluno sobre o assunto. No meu caso, respondi secamente, até brincando com a exclusão:

“Estou abaixo da linha da miséria neste tema!”

Numa total honestidade. Sequer tinha PC em casa e nem sabia ligá-lo sem aparecer umas interrogações de como fazê-lo. Sinceridade aparentemente tomada como uma piada inapropriada. Com esta, já tinha dado duas mancadas. Os olhares de desaprovação de “Bros. Snake” denunciavam. Estava em apuros e na marca penal. Não tinha qualquer noção sobre computadores e de forma alguma poderia contar com a boa-vontade do famoso mascote da Nintendo®. Pra “melhorar”, não tardou para fazermos nossa primeira prova... Em duplas, nos reunimos nos minguados computadores disponíveis. Sidnelson sentou-se comigo - estava aparentemente tão perdido quanto eu - assim, tentamos começar o fatídico exercício prático. Tentamos.. Tentamos... Tentamos... E tentamos... Não ajudava o fato de não conhecermos muito da matéria, é verdade. Muito menos os 3.456 vírus que nos tomaram uma hora (!) sem podermos aprontar nosso trabalho.


E isso foi levado em conta na avaliação final??? Não. Logicamente paguei (como alertei anteriormente) por jamais ter fechado a matraca em momentos prévios cruciais (nem sei mais se tal contaminada plataforma nos foi passada propositadamente, só de sacanagem). Com pouco tempo sobrando, parca desenvoltura no uso do mouse/teclado, conseguimos male-male fazer algo. Antes de mais um “pau” homérico impedir a correta gravação do arquivo. Havíamos perdido tudo!!! E minutos nos separavam do ponto final daquele torturante teste. Gritávamos por SOCORRO!!!

Entretanto, na tentativa (desesperada!!!) de salvar o citado-corrompido material, encontramos - no apertar louco de botões - as provas da turma da noite, exatamente iguais as nossas e já respondidas (ainda bem, ufa...) no dia anterior. Felizmente, armazenadas prestativamente bem acessíveis a nós. Não tivemos dúvida, mudamos uma delas (pra pior, para não levantarmos suspeitas depois de tamanho sufoco) e entregamos um produto de merecida-sabida nota 5. O suficiente para salvarmos nossas vidas diante de tanto problema e indisposição com o teacher. Não foi à toa que minhas piores “médias” nos 4 anos de faculdade se concentraram (exclusivamente) neste horrendo 1º semestre...

Depois disso, passei (inquisitoriamente) a gastar preciosas tardes nas salas de informática tentando não ficar atrás nas próximas sessões de masoquismo virtual. Conseguindo melhorar meu score gradativamente. Os meses foram passando e aos poucos aquela péssima impressão inicial desapareceu completamente, pois logo fiquei amigo de Mário, este, sempre se mostrando solícito para comigo (pelo menos). Ainda bem. Principalmente para um mau aluno como eu. Portanto, releguem qualquer menção as minhas (supostas) qualidades enquanto estudante. Elas podem não ser muito condizentes com a realidade. Dos fatos principalmente. Assim sendo, meu histórico curricular pode resvalar numa fonte pouco confiável - como observado desde o início. Não é mesmo?

domingo, 2 de março de 2008

Dores

Maledita gripe que me agride!

Custa a passar e volta numa facilidade...

E não é por falta de cuidados, não... Até “Vitamina C” ando tomando, assim como uns inesperados - e seguidos - banhos de chuva FRIA. Safadamente (sempre) caindo feito dilúvio. Nestes dias de sol a pino. Quando nem me lembro do guarda-chuva.

Tempo maluco. E imprevisível.

Falando nisso...

Fui daquelas crianças que adoecia repentinamente quando não ganhava determinado presente - já prometido, às vezes, da boca pra fora. Contava dias e horas para receber algumas destas dádivas tão desejadas. Esperava na porta. Sonhando com embrulhos desembarcando do carro para meus braços. Acabava acamado igualmente quando não conseguia o que queria. Planos frustrados por vontades alheias. Aka falta de incentivo à cultura. Engraçado que minhas crises financeiras causavam doenças curadas unicamente quando minha mesada era auxiliada por bonificações médicas emergenciais. Deveria ter feito gráficos a respeito. Onde bonança no bolso era proporcional a saúde estável.

Num destes momentos, amontoei minhas riquezas, arrombando porquinhos estratégicos, para comprar “A Morte do Super-Homem”. Mas a danada da revista custava mais caro do que o esperado. Ficaria sem a leitura almejada durante meses de expectativa entre o lançamento do (dito) “Evento do Ano” nos EUA e posteriormente na banca mais próxima. Acreditem, nunca dei muito importância pro Homem de Aço. Na verdade, acho este personagem um tanto *quanto* sem graça. Jamais colecionei seu gibi. Conhecia-o mais pelos (ótimos) filmes. E desenhos animados.

Entretanto, sua apocalíptica luta final parecia tentadora demais. Ao ponto de merecer uma edição especial. Com folha luxuosa e um preço de capa absurdo para minhas contas pessoais. Acabei convalescendo na cama quente. Depois de chorar cada segundo perdido sem a posse de um bem tão precioso. Para minha sorte, logo meus pais perceberam a súbita tristeza do filho caçula, amparada pela palidez acentuada. Na época, tomaram minha doença de verão como “saudades” do meu irmão, este, curtindo uma viagem de formatura (muito) longe de casa. Afinal, nem sei se havíamos nos separado durante tanto tempo assim até aquele momento. Ganhei algumas bufunfas extras para superar a dor da separação. Corri para o jornaleiro como se não houvesse amanhã.

Abusando do bem-estar antes abalado. Combalido. Comprei tal relíquia, voltando para minha cama num gesto pródigo e rápido. Aproveitei o merecido descanso aconselhado aos internados para transpassar a fantástica edição de cabo a rabo. Várias vezes. O resultado? A melhor história do Azulão que já li ou lerei. Valeu à pena? Não sei. Era o tipo de escolha fugidia. Simplesmente acontecia. Aquém de minhas capacidades preventivas. Ou não...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ready... Fight!!!

Não sou de brigar. Nunca fui ou serei. Minha natureza me impede disso. Mas já me envolvi com brigas, evidentemente, bem “me envolvi” mesmo, já que sempre fui daqueles que entram (só) para separar os mais briguentos. Na turma dos pacifistas, costumava salvar os amigos encrencados, não raro, quando eles brigavam entre si. Resgatando os dois brigões numa tacada.


Lembro de um evento muito engraçado, até. Tenho um amigo, Pompeu, que é o inferno em pessoa quando resolve tirar alguém para Cristo. Ele é do tipo brincalhão, sabem, contudo, às vezes exagera tanto na tiração de sarro, tanto, que acaba até merecendo umas bordoadas de vez em quando. Num desses casos, na época de escola, o rapaz desajuizado pegou um colega, Edmo, como vítima do dia. Edmundo, coitado, costumava trabalhar como mecânico e... Às vezes, aquele borrão de graxa persistia mesmo depois de alguns banhos, entendem? Pompeu, perdendo o amigo e garantindo a piada, pegava no pé dizendo “Ed- O Imundo!”. Chegava a dar voltas na carteira do menino, cantando: “estou dando a volta ao imundo!”. Prometendo, especialmente: “dar um banho!” no “sugesmundo”.

Lógico, depois de horas da mesma ladainha desdenhosa, Edmo perdeu a paciência e começou a contra-atacar com o famoso: “te pego na saída”. Como pimenta nos olhos dos outros é refresco, a sala toda incentivava a brincadeira, pois, naquela altura, já estávamos corados de tanto dar risada da sacanagem alheia. Todavia, para garantir a saúde de nosso comediante preferido, fazíamos até discurso: “calma, se ele vier te bater nos te protegemos”. E assim ficou acertado... Pacto virtualmente inabalável. Quando o sinal tocou e a hora derradeira (enfim) se aproximou, rapidamente fizemos a escolta em torno do jurado de “morte”, afinal, seguíamos o mesmo caminho, acabava não sendo nenhum sacrifício acompanhá-lo até um ponto seguro. Assim, "O Imundo", ainda sofrendo com as piadinhas encardidas, partiu “pro ataque” em prol de cumprir sua ameaça.

Nessa hora, fiz o que havia sido combinado e na ânsia de proteger uma vida, me postei entre os desafetos, esbarrando em Edmundo, que caiu no chão desequilibrado pela minha proteção. Na hora, notei rapidamente ter sido o único da turva a se manifestar neste sentido, percebendo na seqüência que se tratava realmente de uma atitude isolada. Aquela história de “te protegemos” era mera cascata, o 'chato' do Pompeu merecia mesmo uns tabefes, na opinião dos presentes - os mesmos que já sofreram (em algum momento do passado) de seus rompantes encapetados. Sozinho, fiquei diante de um furioso algoz, sem a ajuda dos “traíras”, observando passivos o desenrolar da desconcertante batalha.

A revolta de Edmo - somada a surpresa de minha interpelação - fora tamanha, que seus chutes, transferidos contra mim após levantar-se do tombo, pareciam desprovidos de força, apenas arremessados aos céus em sua profunda ira - quase divina. Na hora, pensei “to ferrado”. Edmundo tinha o dobro de tamanho e/ou largura. Morreria com certeza. Isso se fossemos para o confronto físico. Evitei esta hipótese em prol de uma nova estratégia (em Grego strateegia, em Latim strategi, em Francês stratégie...): apelei para a psicologia inversa. Acuado, resolvi usar apenas os músculos do cérebro, agindo de forma totalmente inusitada... Rapidamente, puxei o camarada (com sangue nos olhos) para o canto e (logo) desferi (sem tempo de qualquer reação) um poderoso golpe - com minha língua afiada: “Ah... Você? Logo você??? Sujeito tão bem quisto, bem nutrido... Se importando com as piadas sem-graça deste otário?” Ou seja, menti - em parte - para inflar o ego do meu provável assassino.

Passei a dizer coisas elogiosas, do tipo, “você é melhor do que isso, nem devia se importar com esse lixo. Esperava essa reação de qualquer um, menos de você!”. Curioso, dizia estas coisas dando tapinhas nas costas do menino e ele automaticamente concordava com os adjetivos, sussurrando: “É verdade... É verdade...”. Minutos de prosa depois, já resignado, dobrei o sujeito ao ponto dele deixar a humilhação - execração pública - de lado e ir embora calmamente (acreditem), até se despedindo educadamente da ilustre platéia (cativa) do quebra-pau.

Só me esqueci do Pompeu neste ínterim, quando dei por mim, o malandro já havia desaparecido. Não totalmente. Por ironia do destino, passávamos naquele instante - naquela hora exatamente - pela casa dele, e o piadista aguardava no portão - de posse de uma mangueira! No que ele disse: “Não disse que te daria um banho?” Chuáááá... Foi água - gelada, suponho - pra cima do pobre Edmo. Aí a coisa complicou de vez. Edmundo perdeu o restante da razão. Tomado pelos (mais primitivos) instintos animais, partiu novamente para cima de Pompeu, protegido (felizmente) pelo portão. Este último levava pancadas e mais pancadas até o barulho chamar a atenção dos familiares da “vítima”.

Quando os mesmos surgiram se indagando: “o que está acontecendo?”, o violento (molhado) atacante retrucou: “É este... Este... Favelado!”. Seguro pelos avós, o pentelho virou macho instantaneamente, e bem ao estilo “me segura senão bato nele”, começou a gritar: “Ninguém me chama de favelado não!”. Quase que dizendo: “Me segura... Favelado não! Vamos, me segura, gente...”. Larguei mão. Podem se matar. Desisto. Fui embora almoçar. Não demorou pro Pompeu aparecer na porta da minha casa para agradecer - sinceramente - a providencial ajuda. Única.

Nos dias seguintes, os dois nem se olharam. Ufa... Entretanto, o tempo tratou de apagar o ocorrido e nenhuma rusga maior apareceu desde então. Os companheiros de classe até vieram me consolar: “Se o Pompeu apanhasse tudo bem, mas se acontecesse qualquer coisa com você nós iríamos intervir”. Sei. Percebi. Foi melhor assim - e prudente - ter resolvido a questão da minha maneira. Sem luta. Sem derramamento de sangue. Do Karlão, principalmente... Afinal, violência (realmente) não leva a nada. Nem a lugar algum.